GEOGRAFIAS INTERIORES
GEOGRAFIAS INTERIORES.
Exposição Fátima Tenreiro e Rosário Narciso
De 17 de janeiro de 2026 a 15 março de 2026
Quinta da Cruz- Centro de Arte Contemporânea de Viseu

Esta exposição nasce da escuta silenciosa de um território íntimo… duas pessoas, territórios diferentes, mas cada gesto é um caminho que não se prevê, apenas se deixa acontecer… montes, vales, rios, mar… há linhas e cores que nascem do silêncio como o vento que redesenha as dunas ou a maré que inventa a sua própria geografia.
As formas revelam-se como rios subterrâneos que procuram o mar, como montanhas que se erguem da memória, como desertos e florestas que pertencem à paisagem invisível de cada ser.
Cada pintura, escultura e instalação aqui apresentada são fragmentos de viagens… travessias interiores. Não há rascunho, não há caminho previamente traçado: apenas a entrega ao gesto, à cor, à matéria que se expande em liberdade. Lugares onde a intensidade e a serenidade se encontram. O gesto que exalta também acalma, o traço que liberta também pacifica.
São mapas sem fronteiras, desenhados pelo fluir das mãos, linhas que se soltam do pensamento para seguir apenas o ritmo da emoção.
São fragmentos de territórios invisíveis: montanhas erguidas pela memória, mares que se movem na emoção, desertos que guardam o eco de ausências.
O traço sem destino torna-se caminho… o interior abre-se como horizonte…. E cada olhar é convidado a perder-se nestes mapeamentos íntimos, para talvez descobrir, no fundo de si, uma paisagem ainda sem nome.
Biografia – Fátima Tenreiro
Nasceu a 1 de fevereiro de 1962, na encosta noroeste da Serra da Estrela. A infância viveu-a descalça, sentindo nas plantas dos pés a rudeza das pedras e, na respiração, o aroma da terra — marcas primeiras de uma ligação visceral à natureza e à matéria que mais tarde se refletiria no seu gesto artístico.
Formou-se em Artes Plásticas/Escultura na Faculdade de Belas Artes do Porto, e desde cedo uniu a sua vida ao ensino, partilhando com gerações de alunos não apenas o rigor do traço e da geometria, mas também a paixão pela criação. Em Coimbra, foi no diálogo com os estudantes que nasceu o mural coletivo que ainda hoje respira em frente à Escola Secundária da Quinta das Flores — um voo de cores e memórias que traduz a sua crença na arte como espaço de encontro e transformação.
Desde 1999 vive em Viseu, onde continua a ensinar Artes Visuais na Escola Secundária de Viriato. Mas é na pintura — silenciosa, íntima e visceral — que encontra o seu espaço de respiração. Cada tela é para si um regresso às raízes, um mergulho na essência, uma forma de transformar emoções em cor e memória em gesto.
A sua obra não é apenas resultado de uma técnica, mas um percurso de vida: um caminho feito de entrega, cura e contemplação. Ao expor, Fátima Tenreiro partilha com o público a sua própria travessia, convidando-o a sentir na arte o mesmo sopro de liberdade e de verdade que a move desde sempre.
Biografia-Rosário Narciso
Nasceu em Casais das Comeiras, lugar onde a infância se fez de gestos simples e de um encantamento primeiro pelas formas e pelos movimentos da natureza. Presentemente vive em Almeirim, onde continua a semear a sua entrega à criação artística e ao ensino.
Desde cedo, o corpo falou-lhe pela dança, a palavra pelo teatro e as mãos pela plástica… linguagens que se tornaram o fio condutor da sua vida, mas a seiva da sua criatividade encontra-a na Mãe Natureza. Sempre gostou de viajar pelo seu imaginário e descobrir mundos em metamorfose…
É licenciada em Educação Visual e Tecnológica e concluiu ainda o curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes. Doutorou-se em Ciências da Educação pela Universidad de Extremadura, com uma investigação dedicada ao poder transformador da Expressão Plástica e da Educação pela Arte na criança, futuros cidadãos.
Em 2014, descobriu na cerâmica uma nova forma de respirar o mundo. A argila, moldada e transfigurada pelo fogo, tornou-se metáfora da própria vida: matéria que se reinventa e ganha alma.
A sua obra é um espaço de encontros: entre o real e o imaginado, entre o que já foi e o que ainda pode ser. Utiliza técnicas diversas e múltiplos materiais, mas cada vez mais encontra beleza no gesto de reutilizar, transformar, devolver vida ao obsoleto… criando composições que incorporam elementos naturais, num constante jogo de metamorfose.
Expõe desde 1995, cada exposição é mais do que mostrar trabalhos: é partilhar pedaços de si, devolver ao mundo um olhar onde a arte é resistência, o sarar de cicatrizes, é reinvenção e celebração.