Inquérito nacional promovido pela APECV – “Impactos atuais da Pandemia COVID19 no ensino e na aprendizagem nas Artes Visuais e na Educação Artística”

A APECV - Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual realizou, no passado mês de fevereiro e março de 2022, um questionário nacional junto de professores e de escolas, aferindo os impactos atuais da Pandemia COVID19 no ensino e na aprendizagem nas Artes Visuais e na Educação Artística.

Neste inquérito foram recolhidas informações e opiniões relativas aos principais impactos educativos e profissionais que a Pandemia COVID19 teve (e tem) no desenvolvimento de funções dos docentes afetos aos mais variados grupos da Educação Artística, assim como no ensino e aprendizagens das crianças, jovens e adultos; entendendo, paralelamente, de que modo cada comunidade educativa se encontra a desenvolver um plano de ação para ultrapassar as dificuldades diagnosticadas.

Participaram nesta auscultação de grande abrangência territorial, educadores, professores dos mais variados ciclos de ensino (do 1.o ciclo ao ensino superior, passando pelo ensino básico, secundário, ensino artístico especializado e ensino profissional) e técnicos especializados; do ensino público e do ensino privado; envolvendo disciplinas de várias áreas artísticas (desde as Artes Visuais, Música, Teatro, Dança, Audiovisuais e Multimédia, Artes Decorativas, História da Cultura e das Artes) até a áreas promotoras do cruzamento das artes com a inclusão e a cidadania e desenvolvimento.

Realçamos, de seguida, entre os resultados globais registados, as questões mais evidenciadas pelos respondentes, assim como a estatística considerada mais significativa; a saber:

- Principais dificuldades diagnosticadas no processo de ensino-aprendizagem durante o período de Ensino a Distância (E@D): dificuldade na motivação dos alunos; dificuldade de concentração por parte dos alunos nas sessões síncronas; dificuldade na adaptação a novas metodologias de ensino e aprendizagem com recurso ao “digital”; dificuldade no acompanhamento pedagógico de proximidade; disponibilização insuficiente de meios tecnológicos a todos os alunos e professores; insuficiência de materiais e equipamentos técnicos para as disciplinas práticas; constrangimentos na velocidade/funcionamento da internet e na qualidade do som e imagem; redução do número de horas semanais das disciplinas; constrangimentos na verificação da autenticidade dos trabalhos entregues, a distância, pelos alunos; incapacidade de desenvolvimento de técnicas específicas afetas às componentes artísticas; constrangimentos na lecionação a distância, de disciplinas com forte cariz prático;

- Principais dificuldades diagnosticadas no retorno às aulas presenciais (sala de aula): distância física (que em muitos casos ainda se mantém) em espaço de sala de aula;  equipamento digital/informático escasso e por vezes obsoleto, face às necessidades de ligação a alunos em confinamento; lecionação de aulas presenciais em simultâneo com aulas on-line, de acompanhamento a alunos confinados; impossibilidade de utilização de salas específicas afetas às artes visuais, impossibilitando o desenvolvimento de técnicas artísticas específicas; impactos da necessidade do uso de máscara durante as aulas; maior  apego ao telemóvel por parte dos alunos;impossibilidade de partilha de materiais; redução do trabalho colaborativo, devido ao distanciamento social; impossibilidade de utilização de determinados instrumentos musicais; dificuldades ao nível da motricidade fina, nos alunos; maior irritabilidade dos discentes; falta de ritmo de trabalho por parte dos alunos; falta de autoconfiança por parte dos discentes; aprofundamento da heterogeneidade na aquisição de conhecimentos veiculados nas aulas à distância, necessitando de uma contínua consolidação ao longo das aulas presenciais, reduzindo o ritmo e impacto do trabalho realizado com a turma;

- Principais mais-valias (impactos positivos) retirados da Pandemia COVID19, no desenvolvimento pessoal e profissional: acesso a novos recursos educativos digitais; diversificação de metodologias de ensino e de aprendizagem; aumento de competências na utilização de plataformas digitais; incremento de competências generalizadas no âmbito das tecnologias de informação e comunicação; capacidade de construção de mais e melhores recursos digitais; maior capacidade de conciliação entre a vida profissional e familiar; aumento do tempo para preparação de aulas e de outras atividades educativas complementares, assim como para reflexão em torno da prática docente; possibilidade de realização de formação contínua docente, online; possibilidade de realização de reuniões nos AE/ENA em formato online; incremento da capacidade de resiliência, de adaptação à incerteza, e de resolução de problemas; reforço do espírito de equipa entre docentes;  valorização do papel das aulas presenciais; aumento da capacidade criativa e de inovação pedagógica; construção de uma cultura escolar mais solidária; maior relativização das dificuldades;

- 75% dos respondentes refere que, no período de E@D recorreu a recursos digitais disponibilizados por editoras e outros parceiros educativos (Escola Virtual, Khan Academy, Museus, ...). 43% a recursos disponibilizados pelo seu AE/ENA; 20% a recursos da Direção-Geral de Educação e de outras estruturas e planos do Ministério da Educação (Plano Nacional das Artes, etc.). 14% recorreu a recursos disponibilizados pela APECV. Mais, 87% dos profissionais questionados refere que, após retorno às atividades presenciais, continua a recorrer a esse tipo de recursos digitais;

- As aplicações, plataformas e recursos de comunicação e E@D mais utilizadas com os alunos, no período de confinamento, foram: email (77%), suite Google (73%), Zoom (57%), suite Microsoft (44%), Youtube (42%), WhatsApp (35%) e Facebook (6%);

- 50% dos respondentes considera que as aprendizagens dos seus alunos foram fragilizadas pelo impacto da Pandemia COVID19. 40% considera que foram muito fragilizadas. 10% considera que não foram fragilizadas;

- As aprendizagens dos alunos consideradas mais fragilizadas pelo impacto da Pandemia foram:ferramentas de desenho técnico; domínios da escrita e da oralidade, da comunicação, interpretação, experimentação e criação; no âmbito das competências sociais e emocionais; a capacidade de concentração e atenção dos estudantes na sala de aula; a motricidade fina; os métodos de trabalho e de organização; a vivência da prática musical conjunta e da prática de instrumento individual; o trabalho de projeto e o trabalho em grupo;

- 63% dos respondentes refere que no AE/ENA onde leciona foi realizado um diagnóstico para análise das aprendizagens mais afetadas pela Pandemia COVID19. 37% refere que esse diagnóstico ainda não foi realizado;

- 52% dos profissionais inquiridos, refere que no AE/ENA onde leciona existe um Plano de Ação claro para a recuperação das aprendizagens mais afetadas pela Pandemia COVID19, a levar a cabo durante os anos letivos de 2021/2022 e 2022/2023. 48% refere ainda não existir;

- As medidas essenciais dos Plano de Ação existentes nos AE/ENA para a recuperação das aprendizagens mais afetadas pela Pandemia, envolvem: a diversificação de metodologias e estratégias de ensino e aprendizagem; a coadjuvação em sala de aula; o desenvolvimento de atividades de apoio educativo; a recuperação de conteúdos nas atividades regulares semanais, em sala de aula; a promoção de projetos interdisciplinares e transdisciplinares; a realização de atividades de tutoria e de mentoria; a diversificação de oficinas e clubes;

- No que respeita às medidas consideradas mais relevantes, e que deveriam ser colocadas em prática, para uma mais rápida e efetiva recuperação das aprendizagens não realizadas, decorrentes do impacto da Pandemia COVID 19, foram, essencialmente, destacadas as seguintes: a necessidade de libertação de parte da carga burocrática afeta à profissão, para um maior investimento de tempo; o desenvolvimento de novas estratégias de ensino e aprendizagem; o aumento do período de aplicação do Plano 21/23 Escola+; a necessidade de um maior número de aulas de apoio, com grupos mais pequenos de alunos; o reforço da coadjuvação em espaço de sala de aula; o reforço do número de horas semanais das disciplinas; o reforço na contratação de docentes; o aumento de projetos interdisciplinares e transdisciplinares, oficinas e clubes; o retorno às condições físicas das salas de aula, antes da pandemia; o reforço da realização de exposições e outras tipologias de divulgação de trabalhos individuais/grupo realizados pelos alunos; a organização de projetos que envolvam o desenvolvimento de competências sociais e emocionais; o reforço das visitas de estudo fora do espaço escolar; a aposta numa avaliação alicerçada em portefólios, em detrimento dos exames nacionais.  

A Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual agradece a todos aqueles que participaram em mais este inquérito nacional, destacando que continuará a acompanhar, no território, com a proximidade que a carateriza, os impactos da Pandemia COVID19 no ensino e na aprendizagem nas Artes Visuais e na Educação Artística, levando a cabo todo o tipo de iniciativas que, com recurso a ferramentas e metodologias das artes, promovam a recuperação o desenvolvimento de capacidades que foram minimizadas; o aumento da autoestima e a recuperação de motricidade fina,  fomentando projetos criativos alicerçados num forte trabalho colaborativo, gerador de capacidades críticas, promotores de um clima positivo de aprendizagem, com impactos mais significativos e duradouros no percurso escolar das nossas crianças, jovens e adultos. 

A direção da APECV

 

 

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