Nesta oficina partimos da metáfora do animal para compreendermos a nossa personalidade e aceitarmos tanto os aspetos mais amáveis como os mais agressivos da nossa personalidade. Os arquétipos do animal funcionam como a representação da nossa dualidade ( In e Yang; positivo e negativo), através dos significados que culturalmente associamos a cada animal ao associarmos a nossa personalidade a dois de eles fazemos uma representação nossa, que nos ajudará a compreender e a aceitar os nossos conflitos.

Ofcina realizada em vários locais desde 2013 com crianças e adultos. 

 

'Eu sou um colibri, porque os colibris andam muito depressa, e conseguem estar parados no ar e bater as asas, têm muitas cores, são muito bonitos.... também sou a chita, porque ela corre muito depressa, mas por pouco tempo, também é bonita...' Salomé, 8 anos

Os animais, como símbolos, estão presentes na história das culturas desde os tempos mais remotos das pinturas rupestres aos cultos anímicos de muitas sociedades. A nossa relação com os animais além de ser uma relação com a natureza, é também uma relação com o outro, através de símbolos de poder; de afeto, de proteção ou de respeito.A pedagogia como performance artística permite criar espaços onde os estudantes aprendem a romper preconceitos e rotinas insinuando as suas memórias e histórias culturais como conteúdos si gnificantes no ensino das artes (Garoyan, 2003).  Vamos convidar os participantes a experimentar uma ferramenta pedagógica baseada na performance, ferramenta essa dirigida para a expressão pessoal através da metáfora do animal utilizando som , movimento e imagem . Som e imagem serão registados com os telemóveis dos participantes. As atividades andarão á volta da identidade e sua representação não verbal como processos de conhecimento e problematização.

Referência: Garoyan, C. (2013).Performance artística como Pedagogia de Resistência. Imaginar nº39. Porto: Ed. APECV.

 

Para Quem: todas as idades, contextos educacionais formais, não formais e informais

Tempo estimado: crianças: 1 a 2 h; teenagers e adultos: 2 h; educadores:  2 a 4 h. 

 

Porquê?

Retomar os sonhos, explorar o seu eu interior, refletir sobre conflitos interiores, sobre quem és e quem desejarias ser

Como?

Usando a metáfora do animal para:

  • despertar os sentidos: a audição, a visão

  • despertar a memória

  • libertar sonhos, fantasias e esperanças

  • facilitar o diálogo e a expressão do Eu

  • facilitar relacionamentos inter-pessoais

 

Por exemplo os Samis, do Ártico, os xintoístas do Japão e os índios norte americanos acreditam que se pensarem como um veado ou uma raposa eles poderão ter os poderes desses animais e correr com muita velocidade. Procurar seres híbridos e avatars na mitologia, nos jogos vídeo, nos animés. Refletir sobre os animais na história das artes visuais, nas fábulas, nas canções, na publicidade e no design (marcas), nos símbolos desportivos. Procurar os animais escondidos dos seres 'racionais' .

 

Pós-Experiência

No fim da atividade , não se esqueça que precisamos de regressar para a realidade e para o presente. Recomendamos uma conversa em grupo sobre o que cada um sentiu e experimentou. Tenha em conta que alguns participantes podem ter experimentado sentimentos de insegurança durante o processo, e que é importante que eles se sintam bem antes de deixar o espaço do laboratório. Um ou dois meses depois poderá repetir a experiência com o mesmo grupo e ver se alguma modificação ocorreu nos participantes na compreensão do Eu . Recomendamos que escreva a sua própria receita para planear as atividades com os seus alunos , segundo Bruno Munari a receita de cozinha é uma das melhores metodologias de projeto, Yoko Ono também usou as receitas para as suas performances e para performances que desenhou para outros. Pode adicionar as suas especiarias e outros ingredientes para fazer uma nova receita a partir da nossa.

 


Plano Possível 

1- 4 ( 1h)

1. exercício de consciência corporal: respiração, sentido de cada parte do corpo.

2. movimentos simples, caminhar , caminhar ao ritmo de um companheiro ou companheira

3. em duas filas: 

Fila 1 : escolher um animal que poderia descrever o nosso lado mais gentil, mimar o seu movimento corporal (e eventualmente som)
 repetição pelo grupo- Fila 2 : escolher um animal que poderia descrever o nosso lado mais agressivo ou menos gentil, mimar o seu movimento corporal, repetição pelo grupo.

4. Trocar


5- 7- 1. 30h

5. desenhar os animais, escrever algo sobre eles

6. Mostrar amuletos com figuras de animais (Egito; Mesopotâmia; O leão de Veneza; Iberos- Porca de Murça; Logos e marcas de automóveis ou camiões, desporto, etc.). Conversa sobre os símbolos baseados em animais na arte e na publicidade – 20mn

7. Criação de um amuleto Representação tridimensional dos dois animais em argila (peça de cerâmica) - 1h