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Levi Fernando Lopes Vieira Pinto e Auana Lameiras Diniz

 

Levi Fernando Lopes Vieira Pinto e Auana Lameiras Diniz

Instituto de Artes UNESP

Comunicações orais:

“E se a história fosse outra?” contranarrativas pedagógicas a partir da personagem Moema

 

Resumo

Entre março e maio de 2023, trabalhei como professor de artes numa escola municipal de São Paulo. Localizada no Morro Doce, um bairro periférico da região noroeste da cidade. Localizada próxima a rodovia Anhanguera, Morro Doce é facilmente acessível pelos ônibus municipais – isso para quem depende do transporte público. Ou seja, ela não é tão próxima da região central de São Paulo. A escola aqui retratada se localiza também periférica do Morro Doce, muito próxima a rodovia e ao pequeno terminal de ônibus. Ela está no centro de uma comunidade classe D/E com perfil bolsonarista. A estrutura da escola é pequena se comparada com a quantidade de alunas/os/es matriculadas/os/es e é composta por crianças e pré-adolescentes majoritariamente não brancos. Porém, o perfil (ultra)conservador das famílias e de parte da própria equipe escolar dificultava – isso quando não impedia – discussões consideradas “ideológicas”, tais como raça e gênero. Em consequência, observei que muitas crianças não se reconheciam pretas e ainda reproduziam falas racistas e misóginas. Essas relações conturbadas, atravessadas por uma série de violências, ecoavam o Brasil fraturado dos primeiros meses da gestão Lula. Da ressaca bolsonarista, assistimos a uma série de massacres nas escolas e ao genocídio do povo yanomami – ainda em curso. Todas essas questões não estavam blindadas da escola. Mas como elas estavam sendo debatidas? Quais imagens estavam sendo consumidas pelas crianças? A que novas violências essas imagens estavam sendo encenadas ao serem expostas na escola? E também: quais imagens desnudavam violências vividas pelas próprias crianças? Engajado numa educação artística decolonial, me propus a provocar um debate sobre gênero e raça nas turmas a partir de uma perspectiva de decolonizar o nosso imaginário. Um dos projetos que consegui realizar com as turmas de sétimo ao nono ano foi um olhar para o quadro “Moema” (1866), do pintor Victor Meirelles. A escolha da obra não foi aleatória. Em sua tese de doutorado “Entretempos – histórias, conversas e mediações”, a arte/educadora Auana Lameiras Diniz, ao falar sobre como o público do Museu de Arte de São Paulo (MASP) se relaciona com determinadas obras expostas neste museu, chama a atenção para a sexualização racializada da representação de Moema de Meirelles. Contudo, Auana conversa com mulheres indígenas a respeito da obra, que nos trazem outras possibilidades de imaginar o quadro não mais pela violência. A partir da proposta de Auana, costurei as atividades referentes à leitura e releitura da obra com a seguinte pergunta: e se Moema a história de Moema tivesse sido outra? A pergunta disparou a necessidade de reconstruir a própria narrativa de Moema a partir da imaginação de como pode existir de outras formas possíveis… Neste trabalho, gostaria de compartilhar minha experiência com as crianças a partir desse projeto, mostrando algumas contra imagens e contra histórias produzidas por elas, movidas a partir de suas reflexões.

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