Este projecto parte do papel narrativo dos objectos artísticos, Será uma experiência feita através de capacidades de compreensão de pinturas de Chagall, Rockell and Rego por crianças de 8-10 anos em dois lugares diferentes: R. D. Seymour Elementary School, East Granby, Connecticut,USA e Fundação Joaquim dos Santos /Beira-Alta/Viseu in Portugal , CEE. A pergunta para ser investigada é: ‘ Como é que a arte conta histórias? Por que meios, processos e materiais? Quantas explicações possíveis pode ter esta obra de arte? Como podemos contar as nossas histórias sobre a nossa terra através de objectos visuais?

 

Intercâmbios de trabalhos artísticos entre crianças de várias partes do mundo, como este, favorecem experiências reais de aprendizagem sobre culturas no nosso mundo maravilhosamente diverso.

 

Em resposta à pergunta lançada pela Getty Foundation  “Porque é que as artes são importantes?”, Ernest Boyer escreveu:

 “Através das artes , aprendemos uma linguagem universal que transcende a nossa própria cultura e torna a família humana mais global.’

 

Descrição

“Contar a nossa historia através da arte”, é um projecto de intercâmbio internacional no âmbito da educação artística iniciado pela professora de artes visuais Carol Goff (East Granby, CT, USA) em  1999. O projecto foi baseado na tradição de contar históriasis. Coordenado pelas professoras  Teresa Torres Eça e  Clara Baptista (Torredeita,Viseu,Portugal), este projecto proporcionou aos alunos de duas escolas primárias de pequenos meios (Escola de Est Grandby numa pequena cidade dos Estados Unidos e a Escola básica de Magarelas, numa aldeia da Beira Alta) uma oportunidade real de experimentarem o papel da narrativa e o seu impacto nas nossas vidas.

 As crianças  foram motivadas para produzirem obras de arte que pudessem comunicar, transmitindo  a outras crianças o tipo de vida das suas comunidades. A leitura de tais  histórias visuais,  mensagens  comunicadas através da linguagem universal da arte, desenvolveu a compreensão da diversidade cultural e levou as crianças a apreciarem e respeitarem semelhanças e diferenças que existem entre os povos.

As professoras Carol, Teresa e Clara trabalharam em colaboração pela internet trocando planos de aulas, ideias e abordagens, decidindo a estrutura e a calendarização do projecto. Foram seleccionadas reproduções de obras  do artista americano Norman Rockwell e da artista portuguesa Paula Rego como ferramentas de aprendizagem para desenvolver nas crianças conceitos e processos como:
· a importância de identificar , compreender , usar e interpretar os elementos visuais presentes nas obras reproduzidas.
· Criação e interpretação de uma narrativa através de meios visuais, as crianças tiveram que analisar com cuidado as  formas de utilizar os elementos visuais durante o desenvolvimento da composição dos seus trabalhos.
· Utilizando técnicas e materiais variados, as crianças criaram obras de arte representando o povo da sua aldeia/cidade , paisagem; arquitectura; actividades sociais ou recreativas.Em cada uma das obras produzidas as crianças conseguiram transmitir as características próprias da sua cultura.
 

Nas discussões que se seguiram sobre as narrativas visuais recebidas em cada país , as crianças aprenderam acerca das comunidades, culturas e modos de vida através da comparação.As crianças entusiasmaram-se com o trabalho, foi evidente a leitura e compreensão das imagens. Os alunos  enriqueceram-se com um maior conhecimento e respeito pela  cultura do outro

Durante o Inverno de 2001, as professoras desenvolveram um segundo projecto de intercâmbio. Agora focado no tema: Os jogos das crianças. Durante as aulas, nos dois paises, os alunos discutiram jogos tradicionais e jogos correntes com que brincavam assim como acerca do modo como costumavam passar o seu tempo livre. De novo, foram ensinados os conceitos básicos dos elementos visuais e composição e esses conceitos foram discutidos durante o desenrolar dos trabalhos de modo que as crianças pudessem compreender como aplicar os elementos visuais nas suas histórias pessoais. As discussões continuaram quando se trocaram as obras das crianças portuguesas e americanas. Os alunos descobriram que existiam muitos jogos comuns nos dois países apenas com diferentes nomes.Também descobriram que muitos jogos tradicionais estão a desaparecer devido ao crescimento de jogos ligados à tecnologia actual. Para todas as crianças era muito importante estar com a família nos tempos livres.



1. Introdução ao Plano da unidade de trabalho

As crianças podem apreciar a arte e compreendê-la como um processo, funções e teorias. Os educadores nas escolas e nos museus podem alargar os conhecimentos e o pensamento visual das crianças através de experiências artísticas, não só fazendo artes mas também investigando as artes. Hernandez (1997,p.221) dizia que ‘o objectivo da educação é o desenvolvimento dos problemas que são investigados pelos alunos. Compreender vai para lá da simples informação, compreender é ser capaz de reconhecer diferentes visões de um acontecimento ou produto; é procurar hipóteses sobre a pluralidade de visões possíveis. Compreender é uma actividade cognitiva com um papel experimental, uma relação de translação entre o original (informação, problema) e o conhecimento pessoal ou colectivo. Esta relação é feita de conecções entre passado e presente, entre significados dados pelas diferentes culturas aos objectos simbólicos e aos factos do estudo. Compreender segundo Perkins and Blythe (1994) relaciona-se com a capacidade de investigação, investigar um tema com estratégias explanatórias, procurando provas, generalizando e aplicando analogias para representar o tema de uma forma nova.

2. Método

  • Análise a partir de discussão em grupo das pinturas “Marbles” (1953)/ “Young lady with a shining” de Norman Rockell; “Jewish Theatre "(1920) de Marc Chagall e "A filha do Soldado" (1987) de Paula Rego .

  • O segundo passo é a produção de uma obra de arte com uma função narrativa. Contar uma história sobre o ambiente (geográfico-socio e cultural) do aluno , história, paisagem, tradições, etc.

  • O terceiro passo: Avaliação será feito a partir de discussão em grupo , onde os alunos analisam as obras produzidas por todos . Trocando as diferentes interpretações, por exemplo ‘ O que é que este menino viu no trabalho do seu colega? Funciona? Poderia ser um texto escrito? Uma carta?


 

Orientações para os professores

O que podem aprender as crianças? Que tipo de informação pode ser retirada nesta pintura? Que tipo de informação nos é dada pelo título da pintura? Pelo tema? O papel da inspiração? Relação entre a vida do artista e o seu trabalho. diálogo sobre o título, o tema, contexto, elementos formais e conteúdo das pinturas Desenvolver estratégias para interpretar obras de arte, formular perguntas fáceis.

Como posso fazer esta unidade transdisciplinar, que tipo de investigação pedir aos alunos de modo a englobar diferentes disciplinas? Línguas; literatura, ambiente, cidadania, história, etc.

Actividades: Discussões em grupo, pesquisa autónoma fora das aulas e dentro das aulas, fazer uma narrativa visual (experimentação individual e em grupo, exploração visual, produto final) , avaliação dos trabalhos ( discussão em grupo, pedir relatório escrito ou usar questionário para cada um? Tomar notas da actuações dos alunos durante os diálogos – usar uma grelha?
 

Estratégias : Comparar e encontrar relações entre os trabalhos artísticos; arranjar diferentes fontes de informação, usar estratégias constantes de questionamento, fomentar sempre o diálogo em grupo para ajudar os alunos a verbalizar o que se vê e o que se lê. Discutir constantemente os trabalhos em grupo. Dar pistas mas não respostas únicas aos alunos ( tema, materiais, etc)

Recursos: Imagens, reproduções, livros, Internet

3. Questões possíveis para introduzir :

3.1. Compreender Saber ver : Análise de obras ( História da arte e das culturas)

 Paula Rego(1987) ‘ A filha do soldado,Malborough Fine Art, London

O que vês? A arte conta histórias reais? Por que meios? Qual é a história nesta imagem?

Paula rego é uma pintora portuguesa contemporânea . Os seus trabalhos são influenciados por histórias populares, pelo surrealismo (a arte conta os nossos sonhos), pela Pop art ( os objectos quotidianos podem ser integrados na obra ou usados como fonte de inspiração).Podem pesquisar coisas sobre Portugal e sobre histórias populares portuguesas, podem também saber mais sobre estes movimentos que a influenciaram e sobre a sua obra.

Ela diz que conta as histórias da sua infância, mas às vezes as figuras podem ser feias e as histórias cruéis, ela também se inspira nas personagens de Walt Disney como por exemplo o filme Fantasia. No entanto a fealdade das personagens ou a sua vulgaridade são poéticas na obra de Paula Rego, podemos sentir-nos tocados pela sua beleza interior por causa das cores, das linhas, do gesto e do equilíbrio da composição.

Qual é a história que nos conta Paula Rego? Porque é que usa diferentes escalas na representação das figuras?


Marc Chagall " Introduction to the Jewish Theatre, 1920 . State Treatiatokv Gallery ,
Moscow

Marc Chagall pintou personagens tradicionais da Rússia e da cultura judia. As festas, o amor, a música, os homens, jovens casais são temas frequentes nas suas pinturas. Querem ver outras obras de Chagall? Podem investigar mais tarde na biblioteca ou nos livros da professora. Em 1920 Chagall estava na Rússia, foi logo após a revolução russa. Podem pesquisar coisas sobre a Rússia, a cultura judia e esta revolução mais tarde. Esta pintura foi pintada durante 1920 para o auditório do Teatro Judeu de Moscovo, tem quase 8 metros de largura , tem cores festivas e explora os temas do folclore russo e tradições judias. No original algumas áreas são muito transparentes, podemos até ver o traço do lápis. Chagall utilizou bocados de renda (imprimindo-as na tela), podemos experimentar esta técnica mais tarde. Reparem na textura, nas cores, na fragmentação do espaço. Quase podemos ler esta história visual como uma banda desenhada, não acham

Qual é a história que nos conta Chagall neste quadro? O que é que as personagens estão a fazer? Estão contentes? O espaço é real ou imaginário? Porquê?


3.2. Produção artística: Saber investigar, saber fazer   ( Guias Para discussão em grupo)

Qual é a história que vamos contar? Como podemos contar aos outros meninos da outra escola ( para lá do oceano, já viram no mapa onde fica?) histórias sobre as nossas vidas, a nossa realidade, o nosso dia a dia? Que processo vamos seguir? Vamos conversar sobre isso, por onde começar? Vamos falar do nosso dia a dia, o que é que é importante para contar aos outros? Como podemos contar isso visualmente? Vamos fazer alguns esboços? Podemos ir lá para fora e desenhar ou tirar fotografias de sítios engraçados, que nós gostamos.

Tentaremos seguir a nossa intuição, as nossas lembranças, também podemos ver fotografias, pesquisar imagens sobre a nossa terra , pesquisar coisas na geografia, na história, ver contos populares, vamos perguntar aos nosso pais e vizinhos eles podem contar coisas que não sabemos sobre a nossa terra e os nossos costumes, as nossas festas por exemplo.

Acham que é importante enviar um mapa com a nossa localização? E fotografias? Fotografias de quê? E desenhos e pinturas e que mais? Qual serás a melhor maneira, que materiais vamos usar, que suportes? Que meios: colagens, desenhos, pinturas, etc.


 

3.3. Saber interpretar, saber avaliar ( avaliação em grupo e auto-avaliação)
Conseguimos os nossos propósitos? Conseguimos de facto contar uma história sobre a nossa terra e os nossos costumes? Quais os elementos da arte que nos ajudaram a contar a história? Como contei a história visualmente, que ferramentas e que elementos da linguagem plástica usei?

Vamos discutir as interpretações de cada um. O que vês no meu trabalho? O que vejo no teu? Que história conta este trabalho? Como a contou? Que efeito faz em mim este trabalho? Evoca-me sentimentos, emoções? Que sentimentos? Porquê?

 

Referências:

O departamento de Artes Visuais de East Grandby school está on–line em: http://pages.cthome.net/goff/eg_art_room/East_Granby_Ax.html  

PERKINS, D.  AND BLYTHE, T. (1994) "Putting Understanding Up Front." Educational Leardership, February , 4-7.

Wadsworth Atheneum, Martin Office of Museum
Education, "Art Tells A Story"-Museum by Mail, Hartford, CT.  The Getty Foundation: http://www.artsednet.getty.edu/ArtsEdNet/Resources/index.html

 

 

 



 
 
 

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